Dica nº 6 - Conjugação de verbos irregulares usuais

16/10/2017 - 09:51

SOBRE CONJUGAÇÃO DE VERBOS IRREGULARES USUAIS

 

Em sua edição de 16 de setembro de 2009, a revista VEJA conta, como verdadeira, a seguinte história: Em uma reunião de coordenação política do governo, certo Ministro da Justiça lascou um "interviu". O Presidente o corrigiu: "Fulano, é interveio". Diante da estupefação do outro, o Presidente emendou, compreensivo: "Muita gente fala "interviu", mas é "interveio".

 

Por vezes, observa-se que pessoas, mesmo bem preparadas, escorregam na gramática, o que sempre causa, no entanto, má impressão. Portanto, todo cuidado é pouco ao nos expressarmos, sobretudo em ambiente de maior formalidade. Atenção sempre à concordância, regência, conjugação verbal.

 

Ouvimos por aí outros escorregões em relação à conjugação de verbos, ditos com frequência por lapso ou distração. É necessário evitá-los.

 

a) Se ele manter o acordo, obteremos ótimos resultados. ( = mantiver)

b) Se eu o ver, transmitirei seu recado. ( = vir)

c) Quando eles proporem o valor, decidiremos a compra do equipamento. (propuserem)

d) Eu me precavenho contra os riscos de dirigir à noite pelas estradas. (não existe)

- o verbo precaver-se é defectivo; no presente do indicativo, conjuga-se apenas precavemos, precaveis; não se conjuga no presente do subjuntivo. Substitui-se por um sinônimo – eu me acautelo, eu me previno)

e) As crianças se entreteram a tarde inteira no parque da cidade. ( = entretiveram)

f) As vítimas reaveram os bens levados pelos assaltantes. (= reouveram)

- o verbo reaver é conjugado como o verbo "haver", no entanto apenas nas formas em que ocorre a letra V; assim, no presente do indicativo, conjuga-se apenas reavemos, reaveis; não se conjuga no presente do subjuntivo; o pretérito perfeito apresenta todas as formas: reouve, reouveste, reouve, reouvemos, reouvestes, reouveram)

 

Para tirar qualquer dúvida sobre conjugação de verbos, recomendamos terem à mão para consulta o clássico livrinho sobre a matéria:

REIS, Otelo. Breviário da Conjugação de Verbos da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Villa Rica, 2011.

 

Vamos lembrar mais algumas questões relevantes sobre conjugação verbal:

 

1.    O presente do subjuntivo deriva da 1ª pessoa do presente do indicativo, ou seja, qualquer irregularidade nessa forma influenciará na conjugação do presente do subjuntivo. Exemplos:

           pres. ind. caibo, cabes, cabe etc.; pres. subj. caiba, caibas, caiba etc.

           pres. ind. valho, vales, vale etc.; pres. subj. valha, valhas, valha etc.

  pres. ind. tu colores, ele colore (verbo defectivo – não tem a 1ª pessoa) – portanto, não se conjuga no presente do subjuntivo.

  pres. ind. adequamos, adequais (verbo defectivo – só tem essas duas formas no pres. ind.) – portanto, não se conjuga no presente do subjuntivo.

2.    Os pronomes de tratamento – por exemplo, Vossa Excelência, Vossas Senhorias – levam o verbo para a 3ª pessoa (singular ou plural) por equivalerem a você/vocês. Também por isso, os pronomes possessivos a serem empregados na frase são seu/sua/seus/suas.

Exemplo: Vossa Excelência é admirável. Sempre mostrou compromisso com as responsabilidades assumidas perante seus eleitores.

3.    Verbos abundantes são aqueles que têm dois particípios: um regular (terminação –DO) e outro irregular.

  Em regra, usa-se o particípio regular com os verbos auxiliares ter / haver (formação dos tempos compostos) e o particípio irregular com os verbos auxiliares ser / estar.

  Por exemplo: tinha aceitado / foi aceito; havia acendido / está aceso

 

 

 

Alguns verbos abundantes: isentar (isentado/isento); matar (matado/morto); soltar (soltado/solto); romper (rompido/roto); suspender (suspendido/suspenso); extinguir (extinguido/extinto); omitir (omitido/omisso); submergir (submergido/submerso)

 

No caso dos verbos abundantes gastar (gastado/gasto); ganhar (ganhado/ganho) e pagar (pagado/pago), admite-se também a forma irregular com os verbos auxiliares ter/haver: tínhamos gasto / tínhamos ganho / havíamos pago ou tínhamos gastado / tínhamos ganhado / havíamos pagado

        Obs. Os verbos abundantes morrer e matar têm o mesmo particípio              irregular: morto.

 

         O verbo imprimir tem duplo particípio: imprimido (no sentido de produzir movimento) e impresso (no sentido de estampar, gravar).

 

         Alguns verbos só têm a forma irregular do particípio: abrir (aberto); cobrir (coberto); dizer (dito); escrever (escrito); fazer (feito); pôr (posto); ver (visto).

 

        O verbo vir tem o gerúndio e o particípio iguais: vindo – está vindo (gerúndio) / tinha vindo (particípio).

         Há alguns outros verbos que também são abundantes, por apresentarem duas formas em determinados tempos verbais.

        Exemplos:

         haver (pres. ind.) - hei, hás, há, havemos ou hemos (muitíssimo pouco usada), haveis, hão

         requerer (pres. ind.) – requeiro, requeres, requer ou requere, requeremos, requereis, requerem

          construir (pres. ind.) – construo, construis ou constróis, construi ou constrói, construímos, construís, construem ou constroem (da mesma maneira: destruir e reconstruir)

4.    Há verbos primitivos e derivados. Sabendo-se conjugar a forma primitiva (geralmente mais simples e conhecida), não teremos problemas com a forma derivada: basta antepor a ela o prefixo.

           Exemplos:

           Como o verbo ter conjugam-se conter, deter, reter, entreter etc.

           Como o verbo vir conjugam-se intervir, convir, provir, advir etc.

           Como o verbo pôr conjugam-se compor, depor, transpor, dispor etc.

 

5.    Há um grupo de verbos irregulares que se conjugam da mesma maneira: mediar, ansiar, remediar, incendiar, odiar. Para lembrar com mais facilidade esses cinco verbos, guarde a palavra mnemônica: MÁRIO (iniciais de cada um deles).

Exemplo: incendeio, incendeias, incendeia, incendiamos, incendiais, incendeiam (presente do indicativo)

incendeie, incendeies, incendeie, incendiemos, incendieis, incendeiem (presente do subjuntivo)

          Os cinco verbos mencionados seguem esse paradigma.